Apesar de serem convidados, nem a Chefe de
gabinete, Secretários e Vereadores compareceram a reunião da Secretaria de
Educação na abertura da semana pedagógica.
A rotina de todo diretor é marcada pela
variedade de atividades. Ao chegar à escola, o que ele planejou fazer naquele
dia geralmente se perde em meio às emergências que surgem de todos os cantos. O
telhado mal vedado, a falta de um professor, o acidente de um aluno, o recurso
que não chegou. Tudo o obriga a reorganizar o plano de trabalho, sem poder
adiar ou cancelar, é claro, as prestações de contas, as reuniões na Secretaria
de Educação e a visita dos familiares dos alunos. Assim, as funções primordiais
do cargo vão se perdendo e correm o risco de cair no esquecimento. Aliás, quais
são elas mesmo?
Uma pesquisa feita pela Fundação Victor Civita
(FVC), em parceria com o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística
(Ibope), constatou que o dia a dia do gestor é mais marcado por essas tarefas
do que pelo que seriam as três principais preocupações inerentes ao cargo:
dirigir a relação entre ensino e aprendizagem, orientar para o saber e
gerenciar o conhecimento
Se a escola é o lugar formal do conhecimento,
onde se formam o trabalhador de amanhã, o leitor e o escritor competente e o
indivíduo ético, nada mais óbvio que a instituição tenha de ser bem gerida em
todos os aspectos para funcionar com êxito. Porém a falta de uma visão
integrada entre o administrativo e o pedagógico leva os diretores a outro
equívoco, também apontado no estudo: nenhum dos gestores entrevistados atribui
a si próprio a responsabilidade pelo baixo desempenho dos alunos. Há outros
fatores que também espantam. Eles creditam a culpa pelos resultados ruins das
escolas, no que diz respeito à aprendizagem, ao governo (48%), à comunidade
(16%), aos professores (13%), aos alunos (9%) e até mesmo à escola (7%) - como
se a instituição fosse um elemento independente de suas esferas constituintes.
Com isso, fica evidente que eles ainda
desconhecem sua máxima obrigação e resumem sua atuação à burocracia. Mesmo que
existam os coordenadores pedagógicos e as universidades e as Secretarias de
Educação colaborem com o processo de formação em serviço dos docentes, a
responsabilidade pelo desempenho insatisfatório dos alunos é do gestor. Durante
as entrevistas da pesquisa, eles só assumem que a aprendizagem também os
compete quando questionados diretamente sobre ela. Para que a direção da escola
fosse citada (e ainda assim pouco responsabilizada) pelos entrevistados, foi
preciso que os pesquisadores perguntassem a todos quem era mais responsável
pelo aprendizado dos alunos. Assim, eles apontaram, em primeiro lugar, a
comunidade (45%). Depois, os professores (42%), os alunos (29%) e só então a
direção (26%) - esses e outros resultados são o tema da reportagem de capa da
revista GESTÃO ESCOLAR de outubro/novembro. Os porcentuais indicam com clareza
que os diretores acham que os alunos têm mais responsabilidade que eles se não
aprendem. Assumem a tarefa, mas não o fracasso dela.
É como se o mundo da Educação vivesse o mesmo
problema que recai sobre a seleção brasileira de futebol em época de Copa do
Mundo. Todos se sentem técnicos e julgam ter as melhores estratégias para
vencer um jogo. Mas ninguém se sente culpado quando a derrota ocorre e o
problema fica no ar, sem autor. Por isso, o governo aparece na pesquisa como o
primeiro responsável pelo fracasso: é uma estrutura impessoal, etérea, fluida,
que funciona como se não tivesse sido eleita por ninguém.
O diretor não está sozinho nesse pensamento
equivocado. Todos temos uma porção de responsabilidade. Ainda assim, é urgente
o entendimento de que o gestor que não assume a tarefa de garantir a aprendizagem
das crianças não compreende seu papel.

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