Abertura de inquéritos da Operação Lava-Jato deve aprofundar a crise política vivida pelo governo Dilma Rousseff
Indício claro de desdobramento foi a degradação das relações
entre o presidente do Senado, Renan Calheiros, e a presidente da
República
Foto: AGÊNCIA CÂMARA
Brasília. A abertura de 21 inquéritos contra 49
investigados no Supremo Tribunal Federal (STF), entre eles vários
integrantes das cúpulas de partidos aliados, vai aprofundar nos próximos
meses a crise política vivida pelo governo Dilma Rousseff na avaliação
de fontes do Palácio do Planalto.
Segundo as fontes, que falaram à Reuters sob condição de anonimato, o
descontrole do governo sobre a base aliada continuará nas próximas
semanas e o clima de desconfiança entre os parlamentares e o Executivo
pode se aprofundar, apesar dos esforços recentes de Dilma e seus
ministros para reaglutinar a coalizão e superar descontentamentos. Entre
os investigados há parlamentares do PMDB, do PT e do PP, entre os
aliados. Políticos do PSDB e do PTB também serão alvos de inquéritos.
Dilma deve se reunir com seus principais ministros durante este fim de
semana para analisar os desdobramentos da operação Lava Jato, após a
divulgação dos políticos que serão investigados. Para este domingo (8), o
ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas, já foi convocado
para uma reunião no Palácio da Alvorada.
Medidas impopulares
Esse cenário de aprofundamento da crise política, na avaliação das
fontes, trará mais dificuldades para aprovar medidas impopulares, como o
endurecimento das regras para acessar o seguro-desemprego, o abono
salarial e as pensões por morte, que buscam atender a necessidade de
ajuste fiscal do governo e poderiam gerar uma economia de até 18 bilhões
de reais por ano. Um indício claro deste desdobramento político foi
visto na última semana, quando o presidente do Senado Federal, Renan
Calheiros (PMDB-AL), rejeitou uma medida provisória editada pelo governo
e atrasou a aplicação de uma redução das desonerações tributárias para
vários setores da economia, o que poderia gerar uma receita adicional ao
governo de cerca de 14,6 bilhões de reais neste ano.
Na sexta-feira (6), o relator das investigações da operação Lava Jato
no STF, ministro Teori Zavascki, abriu investigação contra Renan por
formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
O peemedebista disse, em nota: " darei todas as explicações à luz do
dia e prestarei as informações que a Justiça desejar". "Minhas relações
junto ao poder público nunca ultrapassaram os limites institucionais",
afirmou ele, criticando ainda a ação do Ministério Público, que
classificou como "atropelamento".
Além de Renan, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), também
será alvo de investigação. Para se ter ideia da turbulência política que
a decisão de Zavascki provocará no Congresso Nacional, há 12 senadores
que serão investigados.
Ou seja, quase 15 por cento do Senado está sob suspeição.
Entre eles, ex-ministros como Edison Lobão (PMDB-MA) e Gleisi Hoffmann
(PT-PR). Na Câmara, são 22 deputados com inquéritos abertos no STF.
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